Hoje inauguramos um novo
espaço de informação e interação, de discussão e aprendizado, e iniciamos uma
fase importante para o FemMaterna, grupo de discussão sobre maternagem e
feminismo surgido em setembro de 2012 na lista de discussão do Blogueiras
Feministas. Lá começamos a conversar antes de nos estabelecermos em uma
lista de discussão própria. A partir de janeiro desse ano estivemos presentes no Blogueiras Feministas postando semanalmente. O FemMaterna cresceu e estamos aqui, orgulhosamente, dando mais um passo adiante.
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| Pai navajo e suas crianças. |
Embora a maternagem seja
idealmente uma responsabilidade de toda a sociedade, a responsabilidade maior
recai sobre os ombros das mulheres. E existe nisso uma incoerência. Ao mesmo tempo em que se espera que a
mulher tenha filhos, a partir do momento em que ela se torna mãe também passa a
estar sujeita a diversas formas de opressão, de apagamento de sua identidade.
A mulher envolvida com a maternidade também costuma ser confrontada com uma
demanda multifacetada, que ora exige polivalência (profissional de sucesso,
independente financeiramente, sexualmente ativa, atendendo às exigências
estéticas, mãe dedicada, dona de casa irretocável) e ora cobra a dedicação
exclusiva ao lar e à prole. Muitas vezes a maternidade tão cobrada e festejada se torna uma empreitada solitária.
Também é atribuída unicamente à
mulher, muitas vezes, a tarefa da educação dos filhos não só no sentido formal, mas também a formação moral e a sociabilização das crianças. “Parece
que não tem mãe”, “cadê a mãe dessa criança?” são algumas das frases mais
ditas. Ao vencedor as batatas, à mulher a culpa inclusive de criar filhos
machistas, de reproduzir modelos de opressão feminina. Para mulher, as batatas
são aquelas mais quentes, ou as que estão assando, é o que parece acontecer
tantas vezes.
E se uma criança não fosse
mais só responsabilidade de sua mãe ou de alguma outra mulher (a avó, a tia, a
irmã)? E se a criança fosse um projeto ou uma tarefa (sim, vamos à franqueza,
nem toda criança é fruto de planejamento, certo?) a ser desempenhada
não só individualmente ou com o cônjuge, e sim por uma rede de cuidados expandida,
extrapolando o núcleo familiar mais próximo? E se passássemos a compreender
quão revolucionária é a tarefa de criar jovens voltados à solidariedade, à
cooperação, ao senso de igualdade e justiça, ainda que seja exatamente isso que
se espera de uma mulher (e de mulheres apenas)? E se passássemos a enxergar
melhor as implicações da maternagem solidária, coletiva e igualitária para o
estabelecimento de uma sociedade melhor?
Estaremos aqui para falar
sobre maternagem a partir de um olhar feminista que seja o mais compreensivo,
generoso, amplo, inclusivo, democrático e atento possível. Que as vozes sejam múltiplas e
sejam ouvidas o mais longe possível. Estaremos aqui junt@s.
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| Encontro de famílias e professores da comunidade de Upper Arlington, EUA |
Maternagem feminista é questionar modelos e
respostas prontas.
Agnes, mãe de Manuela, 3 anos, e Lígia, 5 meses.
Maternagem feminista é empoderar o papel da mãe
para que a ela não sejam negados direitos com base em um recorte de classe, de
identidade de gênero e de orientação sexual. E disso decorre que ela ensine aos
filhos pelo exemplo.
Danilo Sanches, pai feminista da Maria, 6 anos.
Maternagem feminista é
saber que eu posso acarinhar e não preciso bater. Posso libertar, ao invés de
restringir. Posso respeitar e não preciso limitar. E mesmo que eu só lute no
dia a dia, ainda estou ajudando a fazer um mundo melhor.
Tâmara, mãe do
Miguel, de 2 anos e 4 meses.
Maternagem feminista é reconhecer que não existe
modelo de mãe e que nossos filhos nos ensinam a maternar.
Júlia Rodrigues, mãe da Sofia, 4 anos, do Luiz Eduardo, de2
anos e 6 meses, e da Ana, de 1 ano.
Maternagem feminista é reconhecer que todos temos direitos e obrigações
iguais, independentemente da orientação sexual, pois todos podem
“maternar/amar”, cuidar e educar, indistintamente.
Janethe Fontes, mãe de Eduardo Felipe, 19 anos, e de Emile Vitória, 8 anos.
A maternagem feminista é crítica e não exclui, inclui. É compreender que as crianças são uma responsabilidade coletiva e que demanda atenção, afeto, proximidade.
Deborah, mãe do Alexandre, de 6 anos.
Maternagem feminista é
entender que a maternidade pode e deve ter um papel de subverter os privilégios
estabelecidos na sociedade.
Renata, mãe da Liz
de 13 meses
A maternagem feminista pra
mim é poder ser pai, completamente, estar próximo dos meus filhos e poder
cuidar deles.
Humberto, pai do Lucas, 14 anos, e da Raquel, 7 anos.
Maternidade feminista é construir uma sociedade igualitária em que as pessoas sejam respeitadas por suas características individuais.
Cecília, mãe do Lucas, de 19 anos.
Maternidade feminista é a possibilidade de contribuir para uma revolução cotidiana.
Fabiana, mãe da
Clarice, 8 anos.
Maternagem feminista é
revolucionar fazendo o que meio mundo acredita que seja conservador.
Subverter mesmo!.
Lays, mãe da Elanor, 7 anos.
Maternidade feminista é
lutar pela coletivização da maternagem.
Carolina Pombo, mãe da Laura, de 4 anos.
Maternidade feminista é
permitir que a criança tenha autonomia, compreenda e aceite seu corpo e sua
personalidade.
Ludmila, mãe da Teresa de 4 anos.
Ludmila, mãe da Teresa de 4 anos.
Maternidade feminista é refletir e aplicar as discussões de gênero na
criação de meninos e meninas, em busca de um mundo igualitário.
Carolina Costa, mãe do Pedro - 37 semanas de gestação.
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Imagens:
1- Arquivo Nacional dos EUA, 1972.
2- Ilustração de Beth Scupham, 2013, alguns direitos reservados.
3- Arquivos de Upper Arlington, EUA, 1918.
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Imagens:
1- Arquivo Nacional dos EUA, 1972.
2- Ilustração de Beth Scupham, 2013, alguns direitos reservados.
3- Arquivos de Upper Arlington, EUA, 1918.



Ficou lindo o post, meninas!!! Tá corrido demais aqui no trabalho e nem consegui pensar numa frase pra mim...
ResponderExcluir=(
Força pra gente (e folguinhas no trabalho, também seriam legais...)
Beijão!
Obrigada, Sharon, força pra gente, vamos que vamos!!
ExcluirDemais esse texto inalgural! me sinto super representada, Beijas!!!
ResponderExcluirQue bom que gostou Cris, obrigada!! Beijão!!
ExcluirDemais esse primeiro post, vamo que vamo!!! beijas!!!
ResponderExcluirParabéns , espero muitos posts e debates para todo mundo poder aprender um pouco mais sobre a maternagem sem julgamentos e pitacos e que todos possam rever conceitos que tanto atrapalham uma sociedade mais justa e igualitária.
ResponderExcluirBruno, obrigada pela visita, pelo comentário, que bom que gostou! Volte sempre!!
ExcluirLindo texto!
ResponderExcluirO grupo agradece, Clara, volte sempre! Beijo!
ExcluirAdorei! Mesmo não sendo mãe, e nem sabendo se um dia serei, me senti acolhida e incluída pelo blog :-)
ResponderExcluirBinha, ficamos muito felizes, viu? A ideia é essa, pensar a maternagem, a liberdade, a igualdade de forma cada vez mais inclusiva é uma meta importante pra nós!
ExcluirVolte sempre, beijo!